quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A boêmia voltou novamente! =]

Faz tanto temo que não posto aqui: novos projetos, uma nova peça, estudando (pouco, admito) para a seleção do doutorado, muito trabalho, educando diariamente meu filho e cuidando de minha casa... Mas também sei que é falta de compromisso para escrever.
Isso vai começar a mudar.
Porque eu sempre gostei de escrever, alguns dizem que escrevo bem, e eu não quero perder o hábito, a inspiração. Não quero perder esse ato tão importante para mim, que é externar algo que é interno: meus pensamentos, minhas ideias.
Porque eu não quero me perder.
É isso aí: escrever.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Existe vida sem violência?

Quando assisto a um noticiário e vejo a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, penso até quando iremos ver e achar natural tal barbárie. Penso o quanto já acostumamos com isso tudo, como se as coisas não tivessem soluções, como se houvessem 'grandes manipulações' ao redor daquele lugar que não permitem as pessoas viverem em paz. Não é verdade. Para mim, só há uma resposta pra isso: Muitas pessoas ainda não aprenderam a coexistir. Até porque é mais simples pegar em armas do que lutar, em nosso cotidiano, pelo diálogo, pela compreensão do outro. É mais simples atirar bombas à distância do que compreender que não é só 'o outro' quem está errado - Há muitos erros em nós, também.
Falemos de fatos: Israel É uma democracia (em muitos aspectos, até mais que o Brasil) em meio a estados totalitários; Israel é freqüentemente bombardeado por mísseis (em escolas, sinagogas, hospitais, casas...) de radicais pró-Hamas; Tem o direito - legítimo - de defesa; Mas essas restrições à Gaza DEVEM acabar. Ou então, a paz (ou 'Um silêncio com esse nome', como diria Drummond) nunca será real, palpável, será sempre uma perspectiva futura. E assim continuam matando crianças, civis, dos dois lados; continuam fomentando o ódio.
Eu acredito em um estado palestino, que possa coexistir com o judeu. Acredito nos ideias do Fatah, nos ideias de vários israelenses (judeus ou não) pró-Palestina. Eu acredito que todos nós (no Oriente Médio ou no Brasil, em Gaza-Jerusalém ou nos Aflitos-Ilha do Retiro) que a gente pode coexistir.
É acreditar e lutar por uma vida de não-violência. Parece utópico, mas a gente tem que sonhar e lutar sempre; Ou aceitar a violência, o hábito, como coisa natural.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Não Matarás.

Faz parte da natureza de todo ser humano consciente a reflexão.
E essa reflexão-conscientização- mudança de atitudes se faz cada vez mais urgente – As gerações mais recentes (nossos pais, avós e nós) conseguiram o que séculos anteriores várias e várias civilizações não conseguiram: ter a perspectiva real de acabar com o planeta. Ouvi certa vez em um documentário essa expressão: ‘Se a Terra pudesse falar, diria que nossa espécie é como um vírus, que a está adoecendo e matando’. Isso foi muito forte para mim, especialmente porque é verdade.
O mesmo refere-se á matança de animais. Não questiono o fato de pessoas sem acesso a outro tipo de alimentação (por várias questões: de saúde, financeira...) comerem um animal. O que questiono é que pessoas do nível cultural, financeiro, social (que é bem normal, abaixo,, inclusive, de muita gente), que têm informações e acesso, preferirem continuar a matar animais para comer. O ‘não matarás’ deveria servir para seres vivos de outras espécies, também. Mas infelizmente não têm servido nem para a nossa própria. (...).
Ética, Gentileza, Racionalidade... não são atitudes e princípios a serem tratados apenas com pessoas de nosso mesmo sexo, nível social, ou cor de pele; São também para com as outras espécies, com o nosso planeta, com todas os seres vivos ao nosso redor.
Não matarás.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

2008

Fé no recomeço do ciclo, de um novo ano que se inicia, de que a vida é boa e bela, que devemos sempre lutar por ela. Casa própria, realização de sonhos de uma pequena família. Quanta Alegria! O filho crescendo bonito, feliz, inteligente, questionador, birrento, danado, um menino com eu queria ter. O marido dos mais bonitos e amáveis, com tanta alegria no cotidiano que parece até indecente ser tão feliz. Uma casa cheia: de uma gata que se acha a dona do pedaço; de amigos que sempre são bem-vindos; de perspectivas de novas realizações e afeto.Trabalho, trabalho, trabalho. Ensino, planejamento de aulas, aprender com os alunos, ouvir dúvidas, reclamar da bagunça, bagunçar mais que eles. Pegar ônibus cheio e ir lendo diferente livros, ouvir/dançar com o mp4, sonhar com o dia em que não será preciso correr atrás de ônibus.Estudar muito, sempre: madrugadas acordada lendo feito uma louca, sair um parágrafo da dissertação parecia ser impossível, ouvir o desabafo dos amigos na mesma situação (cabelos em desalinho, rugas pelo stress, olheiras de cansaço). Defesa da dissertação: ansiedade, perspectiva, nervosismo, argüição. Aprovada com distinção, Mestre em Educação, UFPE. Mais uma etapa vencida.Grupo de Teatro da Aliança Francesa, a princípio com a idéia de ‘fazer algo diferente’. Perceber que teatro envolve estudos, disciplina, ensaios, responsabilidades, pesquisa, compromisso com o grupo. E que grupo! Quanto aprendizado, novas amizades, carinho, discordância, afeto. Teatro não é hobby.
26 anos, lembrando de quando tinha 12 e vivia na rua, sumia no mundo, andava de biclicleta pro todos lugares, tinha crises de riso aos 15, viajou só, sem ninguém, pra longe, aos 16 e viu como o mundo é maior que sua própria cidade, em muitos sentidos... 26 anos se sentindo tão absurdamente feliz e gauche na vida...!
2008?Trabalhar, estudar, encontrar os amigos, beber umas caipiroscas, amar cada vez mais a família, as pessoas que fazem a vida ser tão bela (As amigas que tanto contribuem: com seu riso, com seus comentários,com as discordâncias, com a honestidade, com o jeito particular que cada uma tem, com o jeito particular com que me cativou...), realização de sonhos, aprendizagem, alegrias, tristezas, alegrias, fé no recomeço, amiga que vai embora (com a fé de que volta), amigos novos conquistados, aprendendo a viver com as diferenças, stress, nervosismo, momentos de angústia, mas a certeza de estar sempre recomeçando.2008. Que 2009 seja repleto de coisas tão e mais belas, permeados por essa fé na vida, nas pessoas, em mim própria. Que 2009 seja MARA :)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Aniversário :)

"É bom olhar pra trás
E admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente
É bom, nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente..."
(Dessa vez - Nando Reis)

26 anos... Feliz, feliz, feliz =D
Marzel tov!!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

De Emma a Amy

O maior problema de Emma Bovary, a protagonista do romance de Flaubert publicado há 151 anos, não é o marido, Charles, mas o tédio – tédio que ele representa à perfeição. Como um poeta romântico, ou como o próprio Flaubert, Emma queria uma vida mais imprevisível e vibrante, uma existência que não se resumisse ao papel social da esposa-mãe. Seu problema não é ser submissa ou não; é ter uma existência menos rotineira e estereotipada. Amy Winehouse em quase tudo parece ser o oposto de Emma, mas, lendo a biografia de Chas Newkey-Burden recém-lançada (Globo, tradução Helena Londres), lá está ele, o tédio, de novo: "Houve ocasiões em que aprontei na televisão e já apareci bêbada porque estava entediada."

De Emma a Amy, a vida das mulheres passou pelas maiores transformações; elas, que sempre foram tão mais perspicazes que os homens, avançaram muito. Mas nem tudo mudou. Quando lemos sobre grandes mulheres modernas como Lou Andreas Salomé, Coco Chanel ou Gala, encontramos dilemas muito parecidos sob modos de vida que chocariam Madame Bovary – ou a nossa Capitu. Sim, porque Dom Casmurro é como se fosse a história de Flaubert contada por Charles, o marido que não entende o que sentem as mulheres por baixo de sua dissimulação e obliqüidade. Sua vaidade de filhinho carola o impede de encarar, mais do que a provável traição com Escobar, o mundo interior que ela tem a revelar, o mar de experiências e sensações que aqueles olhos sugerem.
Hoje, ao ver as moças vestidas com roupas poderosas e óculos que cobrem meio rosto e dirigindo carrões SUV como se atravessassem Kosovo no auge da guerra, num primeiro momento Emma e Capitu talvez pensassem que seu triste fim não foi em vão. No segundo momento, perceberiam que o equilíbrio entre praticidade e aventura não é tão sólido assim. Pois o tédio também mudou de forma, ou multiplicou as suas. O que antes era cobrança para ser a estável dona de casa é agora uma miríade de pressões para que seja bem-sucedida, fashion, magra, bem informada, sexy, independente e... a estável dona de casa. Aí estão os comerciais de margarina que não me deixam mentir.

Não foi diferente com mulheres brasileiras modernas, responsáveis por abrir caminhos muito importantes. Quando lemos as memórias de Danuza Leão ou a biografia de Leila Diniz por Joaquim Ferreira dos Santos, que acaba de ser publicada (coleção Perfis Brasileiros, Companhia das Letras), vemos que sua atitude libertária contrasta com seus amores doídos e, mais importante, com a própria insistência em fazer sua vida girar em torno dos homens o tempo todo, até mesmo em prejuízo das carreiras. Veja a vulnerabilidade de outra libertária da contracultura, Eddie Sedgwick, a amiga chique de Warhol (Sienna Miller no filme Factory Girl), tão descolada e drogada quanto Amy.
Há certa ingenuidade nessa angústia; por mais conscientes que as mulheres sejam de como eles podem ser bobos (e de como elas mesmas podem ser chatas), continuam a se projetar em ideais. A sensação que tenho às vezes é a de que todas – mesmo as que reúnem em boas doses essas supostas qualidades – sonham ser a Angelina Jolie, a princesa que casou com o príncipe Brad Pitt. Rita Hayworth notou que os homens iam dormir com Gilda e acordavam com Rita. Hoje é o caso de dizer que nem mesmo Angelina é uma mulher como Angelina Jolie.

Para dar outro exemplo, Carla Bruni, a charmosíssima cantora e modelo que aos 40 anos se casou com o presidente da França e se tornou um símbolo mundial de elegância e comportamento, diz numa das canções melosas de seu último CD: "Você é meu vício, a teus pés deposito minhas armas." O mesmo vale para Amy, que diz ser "maternal" com os amigos e escreve excelentes versos como "Você volta para ela/ Eu volto para nós". Quer saber? Acho isso muito bonito. Desde os trovadores do século 12 os homens cantam seus amores para elas; nada mais justo que elas cantem de volta agora, em vez de cair no ódio feminista aos homens. E pelo menos Bruni não parece o tipo de mulher que, como Amy, fica chorando por seu homem no chão da cozinha. Mas o fato é que, em média, elas ainda querem do marido o fim de todo o tédio.

É a principal e talvez única desvantagem sua em relação aos homens: elas não sabem ser objetivas em tais assuntos. Eles ainda se apaixonam mais rapidamente e elas ainda se desapaixonam mais lentamente. Elas sofrem mais com o desencanto, levando a admirável inquietude feminina a se confundir com a dolorosa insatisfação feminina. E fingem não ter tanto interesse pela beleza masculina na hora de justificar que namorem velhos feios e ricos, mas têm ataque histérico quando encontram um bonitão da TV.

Mesmo com a juventude atual ensaiando relações casuais, em que o sexo não é necessariamente o mesmo que o amor, poucas mulheres cedem aos impulsos como gostariam. Como diz Fabrício Carpinejar nas ótimas crônicas de Canalha (Bertrand Brasil), "a autoridade é secularmente feminina". Eu acrescento: a liberdade, não. Como sua antiga exigência pelo homem perfeito não é nem pode ser atendida, elas descambam em consumismo e cinismo ou em solidão e caretice, muitas vezes em tudo isso junto. A dificuldade em vencer o tédio sem perder o eixo persiste. Não é homem que está em falta. É leveza.
Daniel Piza (Texto publicado no jornal O Estado em 03.11.2008)
ps¹: Embora tendo algumas críticas a esse texto, achei-o interessante.
Ps²: Vou voltar a publicar mais aqui :)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Quando o futuro torna-se presente

Os dias seguem sem motivos especiais para interessá-la. Tenta algumas novas atividades, que a princípio lhe eram empolgantes, e agora não têm mais sentido.
Dias que correm e transformam-se em semanas, meses. 'Daqui a pouco -pensa- Virarão anos. E eu estou assim, parada, sem cor, sem forma. Estagnada'.
Lembrou de como era aos 12, 14, 18 anos: Da perspectiva que tinha, de como se imaginava quando tivesse essa idade e realizasse as atividade, planos que agora realizou. Tudo lhe parecia tão distante, mas tão maravilhoso! Onde ficcou, onde perdeu tal perspectiva de futuro? Em que momento esse futuro virou presente e ela nem percebeu?
Sorriu ante a lembrança da frase que sua avó sempre repetia: Vida que segue, antes que o diabo a carregue! 'Nada como ser prática e realista como vovó', pensou. Ergueu a cabeça e decidiu que já passou da hora de contar e viver a sua História.